segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ato I - Cinema e Televisão Nacional "Nós Crescemos?"


Bicho de sete cabeças, Central do Brasil, Carandiru, Cidade de Deus, Meu tio matou um cara, O homem que copiava, Neto perde sua alma, Um copo de cólera, Navalha na Carne, Tolerância...

Esses são apenas alguns dos ótimos filmes que o cinema nacional tem produzido. Pois de alguns anos para cá experimentamos uma espécie de amadurecimento do cinema e televisão nacional.

Mas mesmo assim, quando esse tipo de coisa é jogado praticamente na nossa cara, ainda temos que continuar escutando coisas do tipo "a televisão nacional é uma porcaria, o cinema nacional não presta, não temos competência pra fazer televisão".

Uma coisa é fato, que a televisão e o cinema nacional já viveram seus tempos de "inferno", quando tudo que produziamos realmente não prestava. Nosso cinema era pifío, nossa televisão idem.

Mas hoje, utilizar-se de antigos preconceitos, para caracterizar o que produzimos é no mínimo ofensivo. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de capacidade de discernimento é capaz de notar o quanto evoluimos. O quanto hoje nossas produções são adultas e muito bem feitas.

Os filmes acima são apenas alguns exemplos. Se enveredarmos pelos caminhos das séries... bem ai teremos pérolas como "Os Normais", "Cidade dos Homens", "Hoje é dia de Maria", "Histórias Extraordinárias", "Os Maias", "A Casa das Sete Mulheres", e por ai vai.

Sendo assim, não consigo realmente compreender que ainda tenhamos um nível tão absurdo de preconceitos, que não nos permite enxergar um palmo a frente, e perceber a quantidade de coisas boas que nós mesmos estamos fazendo.

E o que mais me impressiona é que na maioria das vezes as críticas mal formuladas e os preconceitos vem da parte que deveria ser mais mente aberta na sociedade, pois tem uma facilidade muito maior de acesso as produções que fazemos. E mesmo assim, essa parcela da sociedade prefere esconder-se atrás de produtos enlatados, que são feitos sob medida para capturar a sua atenção.

Consumimos com uma facilidade tremenda produtos que apesar de aparentarem ser diferentes entre si, são na verdade uma "receita de bolo", que leva em sua forma sempre os mesmos ingredientes, apenas misturados com uma ou duas mexidas a mais e colocados dentro de uma embalagem um pouco diferente.

E dessa forma o que acabamos por ter são consumidores em larga escala de séries que se repetem como "Friends, Dawson's Creek, Felicity, Lost, Heroes, etc, etc..." Não estou aqui vindo dizer que esses programas são ruins ou coisas do gênero. Mas apenas gostaria de tentar entender por que consumidores de tais coisas, que são em sua essência a mesma receita, tem uma dificuldade tremenda em aceitar que dentro de sua própria terra são produzidos muitas vezes programas tão bons quantos e até melhores que esses.

Apesar de não ter nada de patriota, nem mesmo um pingo do tal "nacionalismo ufanista", me sinto particularmente incomodado de notar tal fenômeno, que acaba muitas vezes por cercear a criatividade de diversos atores, ou pior, fazendo com que os mesmos, ao não encontrar o apoio necessário dentro de sua própria terra acabem por voltar-se a produções destinadas a outros mercados, que os consumirão de forma ávida.

No cinema também notamos claramente isso, uma vez que se tivermos em um cinema a exibição de um grande filme nacional, e de um enlatadinho de segunda mão, o segundo terá de qualquer forma uma projeção muito maior, criada inclusive pela mídia especializada, que deveria dar um destaque ao filme mais bem trabalhado, mas que erradamente acaba optando por priorizar aquele que "paga" mais... e que por trazer muitas vezes um enredo mais "pobre" e facilmente digerível, uma vez que não versará sobre situações envolvendo nosso cotidiano, ou a realidade a que estamos acostumados, será facilmente consumido.

Acho que o ponto que quero chegar com este texto é o de que, por mais que queiramos dizer que não, as produções nacionais adquiriram uma identidade própria tremendamente forte, e que surpreende a todos. E que está mais do que na hora de despertarmos para isso, e despirmo-nos dos preconceitos adquiridos, e abrirmos a mente para o novo, que em diversos casos pode ser extremamente bom.

Pare um pouco, faça uso de tudo que você aprende, lê e ouve. Use um pouco do bom senso, e quando ver o anúncio de um novo filme nacional, ou de uma série que vai estrear, não levante automaticamente o muro da intolerância, do preconceito e da ignorância. Deixe que a sua mente tenha a chance de experimentar algo novo. Expanda seus horizontes...

A recompensa pode ser muito maior do que você espera.

Aguardem a Próxima atração!

terça-feira, 17 de julho de 2007

BICHO DE SETE CABEÇAS E OUTRAS COISAS !!!


Não sei mais o que escrever... me sinto estranho em ter que declarar isso, mas eu realmente ando em um período de baixa na inspiração.
E na real, não era pra isso estar acontecendo... afinal os últimos dias tem sido de aprendizado constante... e de novas sensações... e mesmo assim... preciso me concentrar muito pra conseguir conciliar idéias de forma coerente.

Passei por um período complicado, em que comecei a ter pena de mim mesmo... mas felizmente eu consegui achar um ponto de salvação... que vem tornando-se a coisa mais importante que consigo pensar no momento. Realmente a vida nos prega peças... e dessa eu estou gostando.

Hoje assisti a dois filmes... e os dois eram deveras interessantes, cada um a seu modo.
Enquanto o primeiro era uma comédia romântica dessas dignas de sessão da tarde com a galera e muitas risadas, o segundo era um drama muito bem organizado.

O primeiro era "Show de Vizinha", que apesar de ser classificado por várias pessoas como "infantil", "apelativo", talvez até sem imaginação, trouxe, para quem teve a coragem de despir-se de preconceitos e assisti-lo de forma "limpa", diversas lições envolvendo amizade, amor, doação... acho que eu sou meio estranho... pq sempre acho meio "tocante" essas comédias onde o mocinho faz de tudo pra agradar e estar ao lado da mocinha...

Sei o quanto tudo isto está distante do que precisamos fazer no nosso pretenso "mundo real", mas mesmo assim não consigo não achar interessante o que é feito no contexto desses filmes.

E acho que o fato de eles quase sempre terem um final feliz é ainda mais legal... pq de desgraças, tristezas e mazelas a vida está lotada... então.. qual o problema em despirmo-nos da carapaça dos problemas por algo parecido a 2 horas, e darmos vazão aquele lado "pouco ou nada cerebral" que todas as pessoas tem... aqueles momentos onde é interessante rir de besteiras... onde a vida pode e deve ser encarada como uma gostosa brincadeira.

O outro filme é uma obra... chamada "Bicho de Sete Cabeças". Nele é possível notar até onde vai o preconceito e a falta de capacidade do ser-humano em lidar com problemas na maioria das vezes simples.

Tu veres uma pessoa ser aprisionada em um manicômio pelo simples fato de ter fumado maconha... é o final dos tempos... acho que o filme retrata bem o paradoxo... que é se tu não é louco, dentro do hospício... estará fadado a aprender a sê-lo...

Pq de uma forma ou de outra, quando expostos a situações pouco confortáveis, tendemo-nos a aceita-las, e tentar transforma-las em coisas mais passíveis de serem vividas, mesmo que isso resulte na perda de uma parte de nosso caráter, ou em grandes casos, perda de grande parte de nossas almas.

A interpretação dada no filme para o protagonista pelo Ator Rodrigo Santoro é primorosa... o kra prova mais uma vez a imensa capacidade que ele tem de atuar, e de conseguir passar os sentimentos exatamente como eles devem ser passados.

Pra quem ainda não viu... eu recomendo... assistam.

Agora falando sobre filmes, não posso deixar de citar o filme assistido na madrugada de domingo-segunda, "Gattaca - A Experiência Genética". Esse sim é um filme que tem a capacidade de me deixar imaginando por horas e horas, se a humanidade realmente terá a coragem de chegar ao estágio de cultivo e controle da formação de indíviduos que é utilizada no filme.

E o que mais assusta nisso tudo, é que sabemos que essa é uma idéia de que nova... não tem nada... afinal, ela foi partilhada por Hitler durante o Holocausto.

Fico imaginando quão triste e cruel será ver um dia um mundo sem identidade, sem diferenças reais, onde toda a classificação do que tu poderá fazer durante a tua vida ficará a cargo de geneticistas e máquinas preparadas para analisar e catalogar DNA.

E como aceitar o fato de que uma pessoa que nasce com um pequeno defeito em um gene, uma coisa que pode a longo prazo tornar-se um problema, já venha ao mundo condenado. Isso nos remete a velha "caça às bruxas", que a tempos tentamos evitar. E caso nosso destino seja esse, estaremos confirmando que toda essa briga será em vão.

Nos últimos tempos ando tomado por diversas crises relacionadas ao método correto de se levar a vida.
Isso é algo realmente intrigante. Afinal, acredito que o método ideal é o clássico "Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei". Mas a teoria na prática, não funciona tão bem assim... Afinal de contas.. alguém se imagina "jogando tudo para o alto" e decidindo viver plenamente, apenas experimentando as sensações que deseja?? Eu adoraria ter coragem pra fazer isso. Infelizmente ainda tenho um longo caminho a percorrer para poder ter coragem de fazer isso.
Mas um grande passo que podemos dar no sentido de vivermos plenamente, é termos coragem de em algumas situações, apenas ligar aquele botãozinho que diz "ligue o foda-se e seja feliz"... Você ainda não achou esse botãozinho? Então está lançado o seu primeiro desafio. Localize dentro de você mesmo as forças para poder ser um pouco "irresponsável para com o meio" mas totalmente responsável com você. Por que afinal... viver é uma eterna experiência. E ater-nos incessantemente as mesmas coisas, não pode ser legal.

Puxa, pra quem estava sem inspiração, e não localizando o dom da palavra, acabei por alongar-me por aqui. Mas assim são as coisas. Inspirações vem em vão, pessoas passam em nossas vidas, sentimentos nascem, crescem, tornan-se sólidos e depois etéreos e extinguem-se, e o que realmente fica, o que define quem efetivamente somos, são as sensações e experiências que nos permitimos experimentar. Por isso é interessante estarmos abertos a coisas novas, e principalmente estarmos aptos a aceitar o convívio com outras pessoas, pois aprender sozinho é algo realmente não muito vantajoso.

Não sei mais aonde quero chegar com esse texto, afinal, ele deveria ser apenas uma tentativa vã de escrever e reordenar minhas idéias, mas como todas as criaturas, ele adquiriu vida própria, e foi moldando-se a medida que eu o digitava.

Agora termino o mesmo por aqui, mas lembre-se que as questões aqui levantadas permanecem abertas, aguardando por pessoas que tenham coragem de abrir os braços, e aceitar a incubência de tentar dar um sentido a elas.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

MAS AGORA TANTO FAZ, VOCÊ JÁ ME PERDEU


Frase forte essa não? Pois foi lendo-a que eu descobri que estava mais que na hora de mudar, de levantar, sacudir a poeira... e seguir em frente. Passei tanto tempo preso em mim mesmo, sofrendo de uma dor terrível, que consumia minhas forças, e me deixava totalmente exasperado. Acabava tornando o convívio de outras pessoas comigo insuportável.

Não sei bem ao certo quando comecei a "despertar" para essa realidade... o fato é que finalmente estou acordando... me sinto como se estivesse saindo de um longo coma... que paralisou meus sentidos todos. Me deixou meio "fora de ação" por tempo demais... e agora chegou a hora de voltar a vida.

Eu estaria sendo o mais hipócrita possível se viesse aqui dizer que "pronto... eu já esqueci... nada mais importa, não mais penso em você." isso seria mentir horrendamente para mim mesmo. Na verdade o que acontece é que... eu decidi desistir... pois é... eu que odeio desistir... dessa vez... não quero mais lutar... acho que por que eu sei que não é apenas uma batalha que está perdida... mas sim o fato de eu ter escolhido lutar uma guerra perdida, na qual eu nunca tive nenhum tipo de chance de vitória. Mas agora chega... cansei de socar paredes, de tentar romper uma defesa que é tão impenetrável que nem um arranhão eu consegui.

Dói tomar essa decisão... é claro que dói... afinal se não doesse... eu não teria demorado tanto pra toma-la. Mas é necessário... eu preciso viver... preciso aproveitar as coisas que tenho... não posso ficar eternamente esperando que um dia essa pessoa acorde e descubra que "ei... tem um kra que gosta de mim... que quer me fazer feliz... quem sabe dou uma chance a ele". Pra mim chega... cansei disso... Por mais que cada parte de mim não queira isso, eu vou encontrar forças pra faze-lo.

Acho que todas as conversas que mantive com amigos preocupados comigo nos últimos tempos me estimularam a tomar essa decisão. E agradeço muito a quem me ajudou nisso.

Mas só peço que não confundam as coisas... o fato de eu estar desistindo de lutar não quer dizer que parei de gostar... acho que isso eu não vou conseguir fazer... por mais que eu queira... por que o sentimento que eu tenho é tão real, tão puro e bonito... que acho que nem o tempo vai conseguir mata-lo... ele sempre vai viver aqui dentro de mim... suas raízes estão tão firmemente plantadas em meu coração... que não existem muitas opções que me permitam removê-lo.

Bem... depois de tudo que eu já disse... só preciso agradecer aqui a uma coisa... um dos mais fortes motivos para essa decisão ter saído da obscuridade... e ter vindo a tona... e o responsável é... um sentimento... o mais terrível dos sentimentos pra mim... a Indiferença. Pois foi terrivelmente dolorido ser tratado com indiferença... ter conseguido derrubar todas as minhas barreiras, pra expressar do jeito mais puro o que eu sentia, para receber em troca uma dose gigante de "nem te ligo"... isso foi o "momento mágico" pra eu acordar e perceber o grande idiota que eu estava me tornando... acho que definitivamente cansei de socar a parede... de correr atrás do "eldorado" por assim dizer...

Agora eu entendo uma frase que diz "Deixo livre as coisas que amo... se voltarem pra mim foi por que as conquistei... se não voltarem... nunca as possui de verdade. E nesse caso acontece justamente isso... eu não estou de maneira alguma fechando a porta e dizendo "adeus... nesse coração tu não entras mais..." ao contrário... a porta vai estar sempre aqui... e pra que ela se abra novamente como se abriu nessa vez... apenas uma pessoa pode fazer... e se algum dia for do interesse dela fazer isso... pois bem... estarei aqui sempre com você...

E agora chega de escrever esse lamento... é hora de levantar, sacudir a poeira... e bola pra frente...