
Não sei mais o que escrever... me sinto estranho em ter que declarar isso, mas eu realmente ando em um período de baixa na inspiração.
E na real, não era pra isso estar acontecendo... afinal os últimos dias tem sido de aprendizado constante... e de novas sensações... e mesmo assim... preciso me concentrar muito pra conseguir conciliar idéias de forma coerente.
Passei por um período complicado, em que comecei a ter pena de mim mesmo... mas felizmente eu consegui achar um ponto de salvação... que vem tornando-se a coisa mais importante que consigo pensar no momento. Realmente a vida nos prega peças... e dessa eu estou gostando.
Hoje assisti a dois filmes... e os dois eram deveras interessantes, cada um a seu modo.
Enquanto o primeiro era uma comédia romântica dessas dignas de sessão da tarde com a galera e muitas risadas, o segundo era um drama muito bem organizado.
O primeiro era "Show de Vizinha", que apesar de ser classificado por várias pessoas como "infantil", "apelativo", talvez até sem imaginação, trouxe, para quem teve a coragem de despir-se de preconceitos e assisti-lo de forma "limpa", diversas lições envolvendo amizade, amor, doação... acho que eu sou meio estranho... pq sempre acho meio "tocante" essas comédias onde o mocinho faz de tudo pra agradar e estar ao lado da mocinha...
Sei o quanto tudo isto está distante do que precisamos fazer no nosso pretenso "mundo real", mas mesmo assim não consigo não achar interessante o que é feito no contexto desses filmes.
E acho que o fato de eles quase sempre terem um final feliz é ainda mais legal... pq de desgraças, tristezas e mazelas a vida está lotada... então.. qual o problema em despirmo-nos da carapaça dos problemas por algo parecido a 2 horas, e darmos vazão aquele lado "pouco ou nada cerebral" que todas as pessoas tem... aqueles momentos onde é interessante rir de besteiras... onde a vida pode e deve ser encarada como uma gostosa brincadeira.
O outro filme é uma obra... chamada "Bicho de Sete Cabeças". Nele é possível notar até onde vai o preconceito e a falta de capacidade do ser-humano em lidar com problemas na maioria das vezes simples.
Tu veres uma pessoa ser aprisionada em um manicômio pelo simples fato de ter fumado maconha... é o final dos tempos... acho que o filme retrata bem o paradoxo... que é se tu não é louco, dentro do hospício... estará fadado a aprender a sê-lo...
Pq de uma forma ou de outra, quando expostos a situações pouco confortáveis, tendemo-nos a aceita-las, e tentar transforma-las em coisas mais passíveis de serem vividas, mesmo que isso resulte na perda de uma parte de nosso caráter, ou em grandes casos, perda de grande parte de nossas almas.
A interpretação dada no filme para o protagonista pelo Ator Rodrigo Santoro é primorosa... o kra prova mais uma vez a imensa capacidade que ele tem de atuar, e de conseguir passar os sentimentos exatamente como eles devem ser passados.
Pra quem ainda não viu... eu recomendo... assistam.
Agora falando sobre filmes, não posso deixar de citar o filme assistido na madrugada de domingo-segunda, "Gattaca - A Experiência Genética". Esse sim é um filme que tem a capacidade de me deixar imaginando por horas e horas, se a humanidade realmente terá a coragem de chegar ao estágio de cultivo e controle da formação de indíviduos que é utilizada no filme.
E o que mais assusta nisso tudo, é que sabemos que essa é uma idéia de que nova... não tem nada... afinal, ela foi partilhada por Hitler durante o Holocausto.
Fico imaginando quão triste e cruel será ver um dia um mundo sem identidade, sem diferenças reais, onde toda a classificação do que tu poderá fazer durante a tua vida ficará a cargo de geneticistas e máquinas preparadas para analisar e catalogar DNA.
E como aceitar o fato de que uma pessoa que nasce com um pequeno defeito em um gene, uma coisa que pode a longo prazo tornar-se um problema, já venha ao mundo condenado. Isso nos remete a velha "caça às bruxas", que a tempos tentamos evitar. E caso nosso destino seja esse, estaremos confirmando que toda essa briga será em vão.
Nos últimos tempos ando tomado por diversas crises relacionadas ao método correto de se levar a vida.
Isso é algo realmente intrigante. Afinal, acredito que o método ideal é o clássico "Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei". Mas a teoria na prática, não funciona tão bem assim... Afinal de contas.. alguém se imagina "jogando tudo para o alto" e decidindo viver plenamente, apenas experimentando as sensações que deseja?? Eu adoraria ter coragem pra fazer isso. Infelizmente ainda tenho um longo caminho a percorrer para poder ter coragem de fazer isso.
Mas um grande passo que podemos dar no sentido de vivermos plenamente, é termos coragem de em algumas situações, apenas ligar aquele botãozinho que diz "ligue o foda-se e seja feliz"... Você ainda não achou esse botãozinho? Então está lançado o seu primeiro desafio. Localize dentro de você mesmo as forças para poder ser um pouco "irresponsável para com o meio" mas totalmente responsável com você. Por que afinal... viver é uma eterna experiência. E ater-nos incessantemente as mesmas coisas, não pode ser legal.
Puxa, pra quem estava sem inspiração, e não localizando o dom da palavra, acabei por alongar-me por aqui. Mas assim são as coisas. Inspirações vem em vão, pessoas passam em nossas vidas, sentimentos nascem, crescem, tornan-se sólidos e depois etéreos e extinguem-se, e o que realmente fica, o que define quem efetivamente somos, são as sensações e experiências que nos permitimos experimentar. Por isso é interessante estarmos abertos a coisas novas, e principalmente estarmos aptos a aceitar o convívio com outras pessoas, pois aprender sozinho é algo realmente não muito vantajoso.
Não sei mais aonde quero chegar com esse texto, afinal, ele deveria ser apenas uma tentativa vã de escrever e reordenar minhas idéias, mas como todas as criaturas, ele adquiriu vida própria, e foi moldando-se a medida que eu o digitava.
Agora termino o mesmo por aqui, mas lembre-se que as questões aqui levantadas permanecem abertas, aguardando por pessoas que tenham coragem de abrir os braços, e aceitar a incubência de tentar dar um sentido a elas.

Um comentário:
Adorei Bicho de 7 Cabeças e Show de Vizinha é realmente um filme muito simpático.
Essa de achar o botãozinho do Foda-se... Acho que ele muda de lugar, viu? Tem vezes que eu encontro e consigo ligá-lo... Outras vezes eu simplesmente o perco!
Esse será um fenômeno universal?
=**
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