
Há coisa de algumas semanas atrás, eu estava me lembrando de um diálogo que tive com a esposa de meu pai, quando da vitória do Lula em sua primeira eleição para Presidente. A história toda começou pois ela é de esquerda e eu de direita. O diálogo ocorreu logo após a confirmação da vitória do Lula no pleito. O diálogo desenvolveu-se da seguinte maneira:
- Iadia: - E então, o que tu tem pra falar agora?
- Franco: - Olha Iadia, no momento não tenho nada pra dizer.
- Eleição não é jogo de futebol, não é algo que uma vitória diga se a escolha foi correta, dentro de 4 anos ai sim posso ter o que dizer.
Por muito tempo pensei sobre tudo isso. E as conclusões que tirei do assunto não são em momento algum positivas.
Vejamos:
A política no Brasil é encarada sempre de formas totalmente equivocadas. uma grande parcela da sociedade prefere ignorá-la totalmente, dizendo que aquilo não lhes diz respeito, mesmo sabendo que suas vidas dependem dela. Afinal como iremos sobreviver em um mundo sem política? É um cenário um tanto quanto surreal. Mas enfim. Isso é um assunto que já tratei outras vezes.
A outra parcela da sociedade, aquela que tenta se interessar pela política acaba incorrendo em um erro sem tamanho. Pois opta por encarar o assunto com o mesmo enfoque que dariamos a um campeonato em que nosso time do coração ingresse. E isso me leva a pensar... como podemos comparar os dois temas. Considero isso um tremendo ato falho que cometemos.
Politica é um assunto sério. E trata-lo dessa forma acaba por facilitar todas as fraudes e afins com as quais somos bombardeados diariamente. Afinal, militância política difere e muito de torcida. Quando optamos por militar em um partido politico, em apoiar uma sigla e uma ideologia, deveriamos predispormo-nos a dedicar tempo para acompanhar o antes de uma campanha, que é onde o candidato irá expor suas idéias, projetos e a linha que pretenderá adotar durante seu mandato, auxiliar na divulgação do mesmo, mas sobretudo a parte mais importante com certeza é acompanhar o mandato do mesmo, fiscalizando se as promessas estão sendo trabalhadas, ou se não passaram de ladainha articulada de forma a coloca-lo na posição a que chegou.
Diferentemente de partidas de futebol. que encerram-se ao final, uma eleição reflete por longo tempo, tempo esse em que o candidato deveria ser seguidamente cobrado, para estar executando as tarefas para o qual foi nomeado.
Contudo, o que temos na sociedade atual é uma espécie de pantomina, que é articulada de forma a desviar a atenção do publico do que realmente importa. E nós, com nossa visão deturpada e confusa da política, acabamos por deixar-nos envolver por toda a aura de brincadeira imposta as campanhas. Afinal, tudo vira um show, uma festa, uma grande brincadeira enfim... onde as pobres crianças iludidas somos nós, que agitamos bandeiras, discutimos inflamadamente, defendendo pessoas que tem como interesse único conseguir chegar ao poder, pois sabem que ai estarão livres para usar do poder que depositamos em suas mãos, para enriquecer e realizar seus próprios sonhos.
E enquanto isso, nśo, como tolos espectadores, iremos as ruas, e bradaremos a plenos pulmões que o nosso candidato saiu vitorioso, que ele é o máximo, e coisas do gênero, mas ficaremos totalmente omissos enquanto ele adota aquela postura que tanto criticamos no candidato vencido.
Hilário tudo isso não? Sabe... na verdade nada tem de hilário. Isso é patético, totalmente patético, pois estamos entregando nosso futuro, nosso poder de decisão, as únicas esperanças de mudarmos os rumos de nossa história, em troca de simplesmente poder brincar de agitadores.
Mas a pior parte de tudo isso, é quando os pretensos "ganhadores" da eleiçao começam a onde de folgação em quem perdeu. Ora, como eu já falei, não trata-se de uma campeonato, e sim de definir os rumos de nosso país. Então o mais óbvio seria que os perdedores esperassem com muita vontade que suas bocas fossem caladas pelos candidatos vencedores de forma a provar que suas conviccções estão erradas.
Todavia, continuamos a levar isso tudo como brincadeira... como uma grande e engraçada festa.
E diante disso... o que posso dizer, é que cada povo tem o governante que merece.

