quarta-feira, 28 de maio de 2008

UM POUCO DE FILOSOFIA BARATA


Há coisa de algumas semanas atrás, eu estava me lembrando de um diálogo que tive com a esposa de meu pai, quando da vitória do Lula em sua primeira eleição para Presidente. A história toda começou pois ela é de esquerda e eu de direita. O diálogo ocorreu logo após a confirmação da vitória do Lula no pleito. O diálogo desenvolveu-se da seguinte maneira:

- Iadia: - E então, o que tu tem pra falar agora?
- Franco: - Olha Iadia, no momento não tenho nada pra dizer.
- Eleição não é jogo de futebol, não é algo que uma vitória diga se a escolha foi correta, dentro de 4 anos ai sim posso ter o que dizer.

Por muito tempo pensei sobre tudo isso. E as conclusões que tirei do assunto não são em momento algum positivas.

Vejamos:

A política no Brasil é encarada sempre de formas totalmente equivocadas. uma grande parcela da sociedade prefere ignorá-la totalmente, dizendo que aquilo não lhes diz respeito, mesmo sabendo que suas vidas dependem dela. Afinal como iremos sobreviver em um mundo sem política? É um cenário um tanto quanto surreal. Mas enfim. Isso é um assunto que já tratei outras vezes.

A outra parcela da sociedade, aquela que tenta se interessar pela política acaba incorrendo em um erro sem tamanho. Pois opta por encarar o assunto com o mesmo enfoque que dariamos a um campeonato em que nosso time do coração ingresse. E isso me leva a pensar... como podemos comparar os dois temas. Considero isso um tremendo ato falho que cometemos.

Politica é um assunto sério. E trata-lo dessa forma acaba por facilitar todas as fraudes e afins com as quais somos bombardeados diariamente. Afinal, militância política difere e muito de torcida. Quando optamos por militar em um partido politico, em apoiar uma sigla e uma ideologia, deveriamos predispormo-nos a dedicar tempo para acompanhar o antes de uma campanha, que é onde o candidato irá expor suas idéias, projetos e a linha que pretenderá adotar durante seu mandato, auxiliar na divulgação do mesmo, mas sobretudo a parte mais importante com certeza é acompanhar o mandato do mesmo, fiscalizando se as promessas estão sendo trabalhadas, ou se não passaram de ladainha articulada de forma a coloca-lo na posição a que chegou.
Diferentemente de partidas de futebol. que encerram-se ao final, uma eleição reflete por longo tempo, tempo esse em que o candidato deveria ser seguidamente cobrado, para estar executando as tarefas para o qual foi nomeado.

Contudo, o que temos na sociedade atual é uma espécie de pantomina, que é articulada de forma a desviar a atenção do publico do que realmente importa. E nós, com nossa visão deturpada e confusa da política, acabamos por deixar-nos envolver por toda a aura de brincadeira imposta as campanhas. Afinal, tudo vira um show, uma festa, uma grande brincadeira enfim... onde as pobres crianças iludidas somos nós, que agitamos bandeiras, discutimos inflamadamente, defendendo pessoas que tem como interesse único conseguir chegar ao poder, pois sabem que ai estarão livres para usar do poder que depositamos em suas mãos, para enriquecer e realizar seus próprios sonhos.
E enquanto isso, nśo, como tolos espectadores, iremos as ruas, e bradaremos a plenos pulmões que o nosso candidato saiu vitorioso, que ele é o máximo, e coisas do gênero, mas ficaremos totalmente omissos enquanto ele adota aquela postura que tanto criticamos no candidato vencido.

Hilário tudo isso não? Sabe... na verdade nada tem de hilário. Isso é patético, totalmente patético, pois estamos entregando nosso futuro, nosso poder de decisão, as únicas esperanças de mudarmos os rumos de nossa história, em troca de simplesmente poder brincar de agitadores.

Mas a pior parte de tudo isso, é quando os pretensos "ganhadores" da eleiçao começam a onde de folgação em quem perdeu. Ora, como eu já falei, não trata-se de uma campeonato, e sim de definir os rumos de nosso país. Então o mais óbvio seria que os perdedores esperassem com muita vontade que suas bocas fossem caladas pelos candidatos vencedores de forma a provar que suas conviccções estão erradas.

Todavia, continuamos a levar isso tudo como brincadeira... como uma grande e engraçada festa.

E diante disso... o que posso dizer, é que cada povo tem o governante que merece.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A GENTE MUDA O MUNDO COM A MUDANÇA DA MENTE



Hoje meu dia começou de forma diferente. Quer dizer... até eu pegar o ônibus, tudo estava igual. Até que eu e a Adri, minha companheira de jornada Cachoeirinha - Porto Alegre, desandamos a falar sobre uma coisa que eu adoro falar, que é a política.
Começamos conversando sobre PT, o que se gosta e o que não se gosta. Como é sabido por quase todos, eu não gosto de praticamente nada no PT, e ainda continuo com essa postura. São diversos os motivos que me levam a adotar essa postura, mas esse não é, em nenhum momento o tipo de enfoque que pretendo dar ao mesmo.

Resolvi voltar a escrever por um motivo claro e simples. INDIGNAÇÂO. Sei que infelizmente essa indignação é velada, uma vez que mesmo sentindo-a dentro de meu peito, não sei as formas corretas de faze-la ver "a luz do dia" por assim dizer.
O que me levou a adotar essa postura, foi quando percebi mais uma vez a imensa quantidade que temos de "burros políticos" (em um outro text já abordei a diferença entre analfabetos e burros políticos).
Nossa juventude hoje, tem uma facilidade tremenda de esconder-se atrás das comodidades que nos são proporcionadas. Como sempre lembro-me de trechos de músicas quando estou escrevendo. Dessa vez não é diferente. Acredito que na letra de "Outras Frequências", Humberto Gessinger consegue exemplificar de maneira magistral o que eu pretendo dizer. Segue ai o trecho a que me refiro:

"Seria mais fácil, fazer como todo mundo faz
O caminho mais curto, produto que rende mais
Seria mais fácil, fazer como todo mundo faz
Um tiro certeiro, modelo que vende mais"

(Outras Frequências - Engenheiros do Hawaii)

Acho que fica totalmente exposto nessa letra a postura que adotamos. E nisso incluo-me também, pois sou tão omisso e obtuso nessas questões como todos. É fácil, fácil até demais, tomar uma atitude de pseudo-revolucionário, achar que o pobre da rua é um coitado, mas quando temos a chance de efetivamente mudar algo, uma pedrinha que seja... colocamos sempre a frente as nossas coisas. E isso é meio que natural, uma vez que estamos em um mundo capitalista, quase que selvagem. Embarcamos em um mercado, onde enfrentamos um tubarão a cada dia, e isso acaba por minar toda e qualquer vocação que tenhamos para o idealismo puro e simples de lutar por um mundo melhor global. É claro que a busca por um mundo melhor nunca termina. Mas no correr dos acontecimentos, cada um busca o "seu" mundo melhor. Estaremos errados? Eu creio que sim, todavia... como agir diferentemente, se temos a cada dia mais e mais compromissos a cumprir, responsabilidades e cobranças acumulando-se em nossas costas.

Acho que o mais natural em tudo isso, é que tentemos (e notem que digo tentar, e no momento não tenho a menor convicção de como colocar isto em prática), encontrar formas e motivações que nos permitam desanuviar um pouco os pensamentos de nosso próprio umbigo, e ampliar nossos próprios horizontes. E o mais incrível é que em seu intimo, cada um de nós sabe o quão bom e gratificante é acordar, e sentir-se bem consigo mesmo. E cada um deve lembrar-se de ao menos um gesto que praticou, que foi automático, com o intuito apenas de ajudar outrem.

Contudo, creio que ainda temos um longo caminho a percorrer. Precisamos remover de nossos cérebros essa massa bolerante, que embotoa nossos pensamentos, e faz com que direcionemo-nos cada vez mais para um poço sem fundo, de erros, de governos fracassados e principalmente de discursos inflamados, mas mortos e esquecidos assim que proferidos.

Revolução? é... talvez... mas não uma revolta armada ou algo parecido. Nada que compara-se talvez aos atos praticados por nossos pais, avós, tios e tias, durante o período militar. Acredito que o espírito que eles possuiam naquela época, isso sim deve estar presente em nossas almas. Por que o sentimento presente hoje é o de acomodação e aceitação. É tão mais fácil não fazer nada pra mudar. Deixar que as coisas mudem por si sós é cômodo, todavia totalmente ineficiente. Entre ser um observador de mudanças, e um agente de mudança, a segunda opção é a que parece oferecer mais benefícios. Ficar sentado a margem dos tempos não me parece uma forma proveitosa de fazer as coisas. Pelo contrário, ser um agente de mudanças fará com que sintamo-nos como parte integrante e atuante de nossos tempos. Talvez esse não seja o melhor enfoque a ser dado ao assunto, mas nos tempos que temos hj, ele parece ser a forma mais fácil para isso. Afinal, em um mundo capitalista, nada mais normal do que trocarmos um tempo de nossa vida, fazendo coisas legais, por exposição talvez. Por ser lembrado depois de anos... como alguém que fez algo diferente...
É tudo uma questão de abrirmos a cabeça, e tomarmos consciência de nosso próprio valor para a sociedade. A hora de abrir os olhos passou... a hora de acreditar que podemos mudar as coisas trabalhando diretamente sobre elas também. É hora de pararmos de apenas conversar, naquela roda de bar. E de perceber que da roda de bar, podemos começar a grande mudança, que vem de dentro, e pode mudar o mundo.
O ontem passou... o Amanhã virá... e para que ele venha pleno de esperança de crescimento e mudanças, temos que agir no hoje... e não deixar as coisas para amanhã.